quinta-feira, 8 de setembro de 2011

novo blog

depois de tanto tempo, cá estou novamente. agora para falar de um novo blog que eu criei. o Cinefragmento.



comentários breves de filmes que eu assisto. visitem!


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O EXPRESSIONISMO ALEMÃO - a beleza grotesca e sombria. / O Guia da História do Cinema



Dando continuidade ao Guia Prático do Cinema, hoje irei falar sobre um movimento que não apenas inaugurou tendências, mas que influenciou inúmeros gêneros que surgiram ao longo do tempo e que até hoje existem.

Pouco antes do começo da Primeira Guerra Mundial, lá na Alemanha (como em quase todos os países Europeus) as classes mais poderosas eram as que ditavam não só a arte, com todo aquele aspecto autoritário e imobilizado, mas também dominavam toda uma sociedade caminhando para o imperialismo, onde começavam a pipocar as inúmeras revoluções e crises que marcaram todo o período. Como consequência, levantaram-se inúmeros artistas que insurgiram em oposição aquela situação usando toda a manifestação artística para expor opiniões, daí surgiu o Expressionismo.

Em suas fases pré, durante e pós Guerra, o movimento atingiu todas as formas de arte ao longo do tempo, um exemplo disso é a famosa pintura de Munch, “O Grito”, que retrata com perfeição a idéia de insanidade, desespero e medo. Pois é, mas depois de alguns anos, um pouco tarde até, finalmente ele chegou ao cinema, e encontrou como expoente aquela nova e poderosa forma de demonstrar idéias e pensamentos através de imagens em movimento.

O dito Expressionismo Alemão teve tanto destaque, pois ele capturou com intensidade toda aquela atmosfera violenta, subversiva e em declínio, usando um forte poder narrativo, construído por técnicas vindas lá do teatro e que ajudaram na composição de luzes e sombras em forte contraste. Era comum a distorção da forma, do físico, da alma. Do aspecto profundo e divino ao sombrio e sobrenatural. A iluminação insólita. A maquiagem usada em excesso para transmitir a idéia de uma mascara terrível. O pessimismo, o ceticismo, a loucura e o sofrimento.

Um dos primeiros e mais importantes filmes exclusivamente expressionista foi “O Gabinete do Dr. Caligari” de 1919, dirigido por Robert Wiene. Considerado por muitos o primeiro filme de Terror, é uma delirante e soberba obra-prima. Usa e abusa de inúmeros artifícios para construir aquele clima rico em luz, sombras, cenários tortos, maquiagem expressiva... Tanto que possui uma das melhores direções de arte que eu já vi. Belíssimo e bizarro ao mesmo tempo. Ainda sendo um pouco enfadonho no comecinho, você é logo arrastado para aquele visual envolvente e fantástico. O longa conta a historia do hipnotizador, Dr. Caligari, que logo depois de se mudar com seu ajudante-sonâmbulo César para uma nova cidade, começam a ocorrer inúmeras mortes e crimes na região, que na verdade são cometidos pelo sonâmbulo a mando de Caligari que o hipnotizava.

Assim, depois de Caligari, vieram outros filmes, que inovaram o visual e estética de acordo com que o movimento propunha, e surgiram dois grandes nomes do Expressionismo Alemão: Friedrich Murnau e Fritz Lang. O primeiro fez em 1922, “Nosferatu”, um vampiro mais feio impossível, que vem da adaptação do romance “Drácula” de Bram Stoker. Surgiu a oportunidade de filmar em espaços abertos usando a própria natureza, descaracterizando-a, para criar um universo diferente e distorcido, e ainda assim, aterrorizante. E esse é um filmaço mesmo, espetacular! A fotografia utilizando diferentes tonalidades para distinguir o dia e a noite é genial. O longa é de uma beleza grande, sombria, triste e melancólica. O grotesco se encontra através de closes e planos realizados com maestria original e inspiradora. O filme pulsa e respira de forma incrivelmente viva.

Depois Murnau fez outra obra de arte, “Fausto”, de 1926, que é outra grande demonstração de como criar uma fotografia belíssima. Uma edição de arte primorosa, atuações perfeitas. Sofisticado, inovador e atemporal.

Fritz Lang é outro famoso diretor de destaque no Expressionismo. Em 1926, fez uma de suas várias obras-primas. “Metrópolis” é o mais conhecido de seus filmes e pode ser considerado ainda um clássico da ficção científica. O filme é meio chato sim, mas é genial. Ele conta com um grande teor ideológico e critico acerca da relação dos homens e das máquinas e no final dos homens com eles mesmos. Narrando a história de um futuro onde os poderosos vivem na superfície e os operários trabalham no subsolo, Lang usa o máximo dos efeitos especiais, fazendo com que o próprio visual se torne um artifício. Tem cenas que são tão perfeitas que muitas são bem melhores do que alguns efeitos que às vezes vemos em alguns filmes de hoje, e olha que isso nem é exagero. Uma película de uma beleza e processo extraordinário.

Enfim, existem inúmeras obras que eu não falei sobre, como “Golem” e vários outros diretores importantes como Lupu Pick, mas esses são para vocês pesquisarem e aprofundarem mais no tema. E dêem uma chance a esses filmes. São mudos, mas dizem muita coisa. É um cinema muito sensorial. O Expressionismo Alemão é isso, envolto em uma aura sombria, misteriosa e inquietante.

domingo, 17 de janeiro de 2010

ONDE VIVEM OS MOSNTROS - a liberdade infinita da imaginação...


São filmes como “Onde Vivem Os Monstros”, que me fazem lembrar de toda a magia e fragilidade da infância, o quanto naquela época a maioria de nós éramos suscetíveis a perturbações e sentimentos que nos abalavam facilmente, não era necessário demonstrar isso diretamente, mas de alguma forma isso refletia em nossas ações. Um dos principais fatores, que é incrivelmente abordado lá no filme, é a solidão. O quanto, em determinadas ocasiões as crianças são esquecidas, deixadas de lado pelos adultos, que não as respeitam e não demonstram a devida atenção com elas.Aqueles que não tinham muitos amigos, procuravam outra forma de amenizar a sensação solitária, encontravam os livros, ou mesmo os filmes, ou simplesmente a imaginação.

Max (Max Records) é uma criança que cansada de sua vida solitária, ao discutir com a mãe, foge de sua casa, e correndo por becos escuros e atravessando cercas chega até um Mundo novo, habitado por seres estranhos e peludos, que mesmo com aparência hostil, o coroa como Rei.

O longa sempre bate na questão da infância, que não é uma fase só de algumas pessoas, mas de todas, é algo universal. Ele faz questionamentos e traz uma grande nostalgia. Os mundos que criamos quando criança, as aventuras que vivemos, tudo para nos sentirmos menos sozinhos nesse mundo enorme e que não nos compreende. É aí que reside o encanto da criança, em inventar, e mesclar o real ao imaginário, que de certa forma, é um grande poder. Ele vai acabar algum dia, mas vai ter sido o suficiente para ter suprido aquela fase.

É interessante ver o paralelo entre o mundo real, e o mundo inventado de Max.Onde um tem um problema, e o outro também tem, mas que podem sim, ser resolvidos.

Outra coisa fascinante são as criaturas que habitam o mundo imaginário. Sério, elas podem sim ser assustadoras. Se eu assistisse o filme com uns 7 anos, eu teria pesadelos com elas! Mas, são bem fofinhas. Assustadoras. Mas fofinhas. É incrível, como nós nos identificamos com elas, como são personagens carismáticos. Cada um com sua personalidade marcante. Tem aquele que quer a independência, que todos fiquem juntos, que quer ser amado, ou viver brigando. Mas que na verdade, são simplesmente, todas as personalidades de Max. De aparência selvagem, mas que no fundo, querem um rei para botar ordem em tudo, o que é dispensável!

Max Records, o ator estreante que interpreta Max, absolutamente personifica a essência da criança. Ele é inteligente, vulnerável, doce e com raiva, assim como ele deve ser. O início do filme também é forte, Catherine Keener como mãe é convincente e cumpre o papel.

E lógico, tenho que elogiar a enorme competência de Spike Jonze, meu Deus, ele dirige o filme de forma primorosa. Sua câmera ágil e perspicaz é incrível. Onde Vivem Os Monstros tem sim, um baita de um bom desenvolvimento, apesar de lá pro seu meio, o filme começa a ter um tom meio bobo, a carga dramática que tinha lá no começo, volta somente no final. Mas temos que compreender que estamos na imaginação do menino, tudo acontece, direta ou indiretamente por causa dela.

Mas o visual do longa é uma coisa de tirar o fôlego.Me perdoem a palavra, mas puta merda! Tem imagens de cair o queixo e nos deixar estarrecidos. Sério, a fotografia é coisa de outro mundo. Literalmente! Nós sentimos tudo, respiramos aquele ar, pisamos naquela areia. Tudo isso ajuda muito a compor a atmosfera triste e melancólica.
Merece Oscar com certeza! Tem também a trilha sonora que se encaixa nos momentos certos!

Onde Vivem Os Monstros é um filme que não vou esquecer tão cedo. Ri, chorei, me emocionei, me aventurei com Max, para aquelas terras onde seres peludos e grandes vivem. Além de tudo ele possui aquela simplicidade aparente, não tem nenhuma grande explicação para o protagonista visitar o outro Mundo, ele foi correndo e assim chegou lá. A mágica existe e está ali. Simplesmente isso. Um excelente filme, não só para crianças, apesar do filme falar sobre. É para adultos, adolescentes... qualquer um que quer ir para outro lugar e fugir de um mundo, que pelo menos para Max, era chato, onde ele não tinha importância,e que no outro, ele era rei. Mesmo assim, sempre vai ter sua mãe o esperando, porque no final, por mais que relacionamentos sejam difíceis e ser complicado fazer parte de uma família,
percebemos onde realmente importamos.

PS.: O filme é baseado em um livro infantil
PPS.: O trailer do filme é uma coisa ESPETACULAR! veja aqui.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O GUIA DA HISTÓRIA DO CINEMA: Como tudo começou...

Viagem à Lua, de Georges Méliès

Hoje começo a escrever uma nova série de posts no blog. Todo mundo que freqüenta esse Quadro ,assim como eu, ama incondicionalmente a sétima arte, e nutre profundo respeito e admiração pela mesma. Foi por isso, que eu decidi escrever sobre a história do cinema. Desde o começo até o cinema atual, passando por alguns movimentos, como o Expressionismo Alemão, o Noir, a Nouvelle Vague... Todos esses textos serão escritos de forma leve, de fácil entendimento, não muito extensos e com grandes indicações de filmes. Garanto, que se você baixar ( vários filmes de alguns movimentos não se encontram facilmente em DVD) os longas indicados, vê-los com respeito e profunda estima, com certeza seu conhecimento fílmico será aumentado, além de você ser beneficiado, lógico, por ver verdadeiras obras-primas. Então encare isso como um guia prático, pra depois você mesmo procurar e se aprofundar ainda mais, pois essa historia abre um extenso numero de ramificações. Digo de uma vez, que se essa série, não agradar vocês, irei abandoná-la.


Primeiramente, o cinema é a arte de emocionar, de refletir, de fazer pensar, de se apreciar. Um conjunto de imagens em movimento registradas por câmeras que captam cada instante magnífico, cada frame, cada quadro, que reunidos completam a obra. A luz sobre o objeto, o contraste do ambiente, a mise-en-scène, as atuações... E Eis que surge o filme. Há muita história por trás disso. O cinema é fluxo continuo, existe a renovação, a inovação, a descoberta, o marasmo também e uma miríade de coisas que o fez e o faz do jeito que é em cada época determinada.

Houveram os desenhos lá nas cavernas, as pinturas renascentistas, o teatro grego, as projeções de sombras chinesas, a fotografia. Depois foram desenvolvidos equipamentos e maquinas que ajudaram na “retratação” do movimento. Do Praxinoscópio, criado por Reynaud ao Cinetoscópio arquitetado por Thomas A. Edison, que fundou o primeiro estúdio chamado Black Maria, que exibia pequenos filmes vistos individualmente.

Até a invenção do Cinematógrafo, concebido pelos famosos irmãos Louis e Auguste Lumière. O aparelho funcionava como uma filmadora, logico, incrivelmente mais simples, rodada por uma manivela. Assim, no dia 28 de dezembro de 1895, em Paris, no Grand Café, os dois franceses exibem seus primeiros pequenos filmes (na verdade eram documentários de mais ou menos dois minutos, como o mar, um almoço de um bebê...),e assim é inaugurada a sétima arte.O cinema surgia ali.

Pode-se dizer que a maioria dos primeiros filmes eram ficções e documentários.Várias peças de Teatro foram filmadas, além de acontecimentos importantes. E rapidamente a técnica de filmar espalhara no mundo. Fácil, feito pólvora queimando. Em 1903, não é que Edwin Porter faz um western, clássico mesmo, o primeiro! "Grande Roubo no Trem", tem todas aquelas características, presentes no gênero, como os vários tiroteios, seguidos de morte evidente. Mas o importante na película (é um curta-metragem) é que ele começou a definir e a delinear a linguagem cinematográfica, não existente até então.

Foram construídas mais tarde as Nickleodons, onde passavam filmes de pouco tempo de duração, curtas mesmo, onde atraia apenas poucas pessoas. Depois que elas se espalharam, que a verdadeira industria se fortificou, e consequentemente os filmes passados nela. A narração ficou melhor, a presença maior de outros gêneros como o melodrama, as gags (essas piadas visuais e sacadas cômicas).Tudo bastante teatral, regado com cenários bem simples.

Mesmo assim apareceram aí, dois diretores importantíssimos, o francês (são sempre os franceses...) Georges Méliès e o americano David W. Griffith. Méliés, fez vários filmes de ficção como o renomado “Viagem À Lua” (meu filme da década de 1900 preferido!) .O cineasta desenvolve os primórdios dos efeitos especiais, além de diversas técnicas, ele usava fotografias e efeitos desse tipo, para criar situações fantásticas.

Já Griffith, realizou o primeiro longa metragem estadunidense em 1915, "O Nascimento de Uma Nação",que é um verdadeiro primor técnico para aquela época, e com certeza pode ser considerado um dos mais importantes filmes já feitos. O genial diretor cria técnicas tão visionárias para a época, que até hoje são usadas: o plano americano, campo/contracampo, os close-ups e a montagem paralela. É uma pena mesmo, que além do filme ser um pouco chato, tem uma mensagem tão, mas tão racista. Fala da Guerra Civil, e conta a história de duas famílias, localizadas no Norte e no Sul, e depois que o Sul vence a batalha, segue a abolição dos escravos negros, que consequentemente, dominam o país e instaura o terror em um furor selvagem. Até que um dos protagonistas cria a Ku Klux Klan. Tida no filme como a salvação para a era do terror, que se abateu nos EUA. Precisa falar mais alguma coisa?! Não neh?! Mas ébom sim, que todo apaixonado pelo cinema veja, apenas para apreciar a técnica de direção usada.

O filme teve tão bom retorno monetário, que foi comprovado que valia a pena fazer longas-metragens.

Então o cinema Americano explodiu, somado a primeira Guerra Mundial, que “atrasou” o cinema Europeu, a atividade cinematográfica se agrupou principalmente na Califórnia, mais especificadamente em Hollywood.

Lá em 1912, para completar o bolo (analogias com comida, não é uma coisa legal), são “descobertos” os famosos comediantes Charles Chaplin e Buster Keaton.

Chaplin, com certeza foi o mais famoso deles, criou o Carlitos, através de seu primeiro filme lá em 1914 “Carlitos Repórter”, o personagem de bigode, chapéu coco, e uma bengala, marcou época e é um dos símbolos do cinema. E merece com certeza, pois ele realizou inúmeros Clássicos, seja em uma simples historia que retrata a vida urbana em “O Garoto” (1921) ou uma cômica historia de amor, em “Luzes da Cidade”(1931), que é um baita de um filme perfeito e lindo demais! Criticou a sociedade voltada para as maquinas em “Tempos Modernos”(1936), e fez piada com um dos maiores ditadores do mundo, Adolf Hitler, em “O Grande Ditador”(1940) (este é falado) tudo com maestria e primor. Assista todos esses de Chaplin e se divirta muito, vale a pena.

Keaton é outro gênio da comedia, que se elevou no gênero, realizando verdadeiras obras-primas, como “A General”, considerado pelo menos, por mim, seu melhor e mais marcante filme,que é simplesmente brilhante, completo em sua historia, humor, e heróis humanos.

A década de 20, foi de extrema importância, pois foi nela, que se disse: Puta Merda! O cinema é a oitava maravilha do mundo, e uma das maiores invenções do homem.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

OS 10 MELHORES FILMES DA DÉCADA

Final de ano e tudo mais, resolvi fazer a minha lista dos 10 melhores filmes da Década de 2000. F oi uma ótima década, cheia de novas obras-primas (apesar de ter váárias vergonhas alheias,vulgo: filmes ruins) mas aqui vai:


1) A PR
OFESSORA DE PIANO: Erika Kohut (Isabelle Hupert) é uma professora de piano que, para fugir de sua vida enfadonha e do domínio possessivo de sua mãe, usa como cano de escape seus desejos e fantasias sexuais.
Michael Haneke expõe verdades, mostra o que é escondido e negado mas que está sempre lá, presente, cru e que por mais perturbador que seja é algo intrínseco e inerente. Um Filmaço, perfeito em todos os termos e em todos os cantos, e é o meu 3º filme preferido.



2) SANGUE NEGRO: Sabe o que é Obra-Prima? Não?! Pois bem, veja Sangue Negro, porque ele é um dos filmes mais perfeitos já criados. O longa tem classe e sensibilidade do cinema antigo misturado à moderna ousadia de conteúdo e estética. Obra Prima de P.T.Anderson.
No Texas, Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um produtor de petróleo, solteiro e com um filho. No momento em que ele vai para Little Boston e encontra petróleo dá inicio uma vida de riquezas e conflitos.



3) CACHÉ: Georges (Daniel Auteuil) e sua esposa Anne (Juliette Binoche) começam, a receber estranhos videos e desenhos estranhos e assustadores, que iniciam uma mudança em suas vidas, colocando tensão e desespero.
Puta filme mais genial impossivel.
Michael Haneke não nos faz de voyers, ele nos faz de cumplices e por vezes algozes, com sua técnica, ele sugere, mais que responde, ele estimula cenas que criamos em nosso imaginário e destinos diferentes que ainda não foram traçados.
e Caché é tão perturador, tão sutil, que fala de culpas e atos violentos ou não, que refletem no mundo de fora, no exterior em que vivemos.



4) KILL BILL 1 e 2:
Os filmes de Tarantino tem algo que me atrai. É incrivel como eu fico entusiasmado quando vejo algo do Taranta, seja seu estilo, sua narração, direção, o jeito que ele conduz a trama em questão. E em Kill Bill, ele eleva tudo à potência! É exagerado, sua trilha sonora é exagerada, seus litros de sangue são exagerados...mas o que importa?! É a diversão e a classe combinados. Além de referenciar vários estilos como os western, os de samurai, os de karatê...foda demais.
O filme conta a história da Noiva (Uma Thurman), uma mulher que busca se vingar de um grupo de assassinos e principalmente de Bill.



5) A FITA BRANCA:Em um vilarejo da Alemanha,começa acontecer estranhos acidentes, onde todos podem ser os culpados, do padre às crianças.
Eu amo de paixão Haneke! Ele é o meu diretor preferido e, quando eu acabei de ver
A Fita Branca, eu relembrei porque eu gosto tanto dele.
E nesse filme ele simplesmente arrasa, em preto e branco Haneke cria
a atmosfera assombrosa, o poder hipnótico em quase cada seqüência. Ele deixa que a inescapável culpa revele a corrupção obliterada pelos sorrisos e os encontros dominicais. Mas existe a crueldade, que não é explicada com porquês, mas simplesmente revelada. É tudo frio. Frieza esta, presente na propria direção. Haneke é bruto, apesar de que há sim, uma sensibilidade presente.


6) ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ: Com a direção beirando a perfeição os Irmãos Coen fazem história com um baita filme, cheio de perfeitas atuações, um marcante vilão, e uma trama completamente envolvente, que te puxa e agarra de forma bruta, os assassinatos e a perseguição são incríveis, e o visual, a mise-en-scène e a a própria atmosfera criada são espetaculares.
Llewelyn Moss encontra uma picape com alguns homens mortos, uma carga de heroína e dois milhões de dólares dentro. Ao ficar com o dinheiro para si, inicia-se uma cadeia de violência que nem o desiludido xerife Bell pode conter.



7) BASTARDOS INGLÓRIOS: E Tarantela mais uma vez arrasa. Ele renova e inova seu cinema. Costura histórias multiplas com mãos de mestre, e com alta tensão nos diálogos primorosos. Sua camera é capaz de tudo e com ela constroi um enredo, uma trama, situações épicas, tudo com o mais refinado humor sarcástico e alta violência sofisticada.Obra-Prima de Tarantino.
Em plena ocupação nazista, o filme permeia entre a história de Shosanna Dreyfus, uma judia que teve sua família executada pelo Coonel Hans Landa; e os Bastardos, que são um grupo de judeus americanos em busca de justiça e morte nazista.



8) O BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS: Joel Barish conhece Clementine , uma mulher completamente diferente dele, e somado a brigas, conflitos, memórias apagadas e possível arrependimento, o filme se desenvolve de forma genial.
O longa é uma história de amor única no seu conteúdo, Surrealista e um fantástico conto de duas pessoas, que se amavam tanto que preferiram aliviar o sofrimento e a dor da separação apagando as memórias que tinham do outro. É inquietante e espetacular, e acima de tudo, um drama Humano.




9) ANTES DO PÔR DO SOL: Primeiramente, o filme se completa com seu primeiro, " Antes do Amanhecer". Só que esse é mais maduro, filosófico, verdadeiro e inteligente.O romance é real, cru, e totalmente presente. É sutil, mas forte e direto.Genial e lindo ao extremo.
Jesse e Celine se conheceram por acaso, em uma viagem de trem de Budapeste para Viena. Nove anos depois, Jesse lança seu livro em Paris, reencontrando Celine coincidentemente. No curto tempo de uma tarde, eles conversam sobre o rumo que suas vidas tomaram.




10) EMBRIAGADO DE AMOR:Barry Egan, interpretado por Adam Sendler dirige uma pequena indústria no subúrbio de Los Angeles. Toda a sua vida é repleta de solidão e rotina, até que um acidente de carro, um órgão e a chegada de uma mulher a mudarão para sempre.
Puta filmaço lindo. P.T.A arrasa na direção, e consegue fazer com que Sendler tenha uma ótima atuação.As falas, somado a junção e utilização das cores e todo o significado que a obra em si passa é perfeito.



BÔNUS) DOGVILLE:
Durante a época da grande depressão, Grace (Nicole Kidman), uma fugitiva do FBI, encontra abrigo numa pacata cidadezinha chamada Dogville. A primeira impressão dos moradores é rapidamente quebrada quando se revela suas verdadeiras intenções.
O filme te manipula, disseca verdades,e é fantástico em sua proposta. A ausência de cenários, as grandes atuações...tudo isso contribui para que o longa se desenvolva de forma genial e intrínseca.

Então é isso.
Digam suas opiniões, se concordam ou não, e deixem sua lista também.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

CONTA COMIGO - o doce sabor nostálgico da infância...


“Nunca mais tive amigos, como os que tive quando tinha 12 anos…”

Pera aí! Antes de ler essa crítica baixe, ou quem já tiver, coloque para tocar a música “Stand By Me” de Ben E. King, que é a música que deu titulo ao filme.Por favor, garanto que a leitura será bem melhor. Curta, deixe que a música te embale e te leve junto com as memórias que Conta Comigo pode te trazer de uma época, que pelo menos para mim, foi tão boa...

Se eu pudesse falar de todos os filmes que marcaram a minha infância, eu ficaria aqui digitando milhares de longas, que não só me ajudaram a perceber e compreender uma fase tão importante da minha vida, mas também me ajudaram a vivê-la. São filmes que sempre que eu vejo desperta aquela tão profunda e prazerosa nostalgia, banhada com altas aventuras e infantis e lembranças, na sua maioria, felizes. Películas da década de 80, mas que seeempre passavam na Sessão da Tarde (que hoje, sinceramente está uma grande porcaria), como De Volta para o Futuro, Os Goonies, Curtindo a Vida Adoidado e claro, Conta Comigo ("Stand By Me").

O longa é recheado de pontos positivos e grandes acertos, mas se tem algo para aplaudir de pé, é que em cada frame está impregnado com a magia da infância e do encanto de viver grandes aventuras. É a adaptação de um romance, que podemos dizer, ser autobiográfico do mestre Stephen King (que eu amo muito), a novela “ O Corpo” do livro “Quatro Estações”, habilmente escrita e narrada quase do mesmo modo de como foi transposta aos cinemas.

O filme fala sobre a aventura de quatro garotos de 12 anos (Wil Wheaton, River Phoenix, Jerry O’Connell e Cory Feldman), com diferentes origens familiares, que decidem ir a uma jornada para encontrar o corpo de uma criança que estava desaparecido, mas nunca foi encontrado. Os garotos acham que se o encontrarem poderiam ganhar fama e fortuna e assim ajudá-los a escapar de suas vidas pacatas em Castle Rock. Conforme a viagem vai rolando os rapazes descobrem coisas sobre si mesmos e percebem que não são tão fortes quanto eles pensavam, e talvez encontrar um corpo não seria exatamente o principal propósito da grande viagem de suas vidas.

Na verdade, por mais que seja chamado de filme de Sessão da Tarde, Conta Comigo é um filme maduro, adulto, ou melhor, de transição. Ele próprio registra o rito de passagem daquelas crianças tanto como indivíduos, quanto membros de um grupo. E é assim, de longe, o momento mais assustador, arriscado e aventureiro de todas suas histórias.

Através da musica, das roupas e do modo de falar, somos transportados para a década de 50, onde os 4 garotos estão conscientes das suas diferenças de classe e intelectual, cada um tem um drama,seus problemas e impedimentos, mas quando unidos eles se integram em algo mais forte e profundo, a amizade está ali, representada e entrelaçada em todos enquanto caminham em cima de trilhos ou ao redor de uma fogueira.

Os atores que interpretam as crianças estão ótimos, e o diretor, Rob Reiner, tira o máximo de suas interpretações. Narrando todo o desenvolvimento de caráter e das relações que desempenham um papel muito grande.

Ah, mas o roteiro do longa é algo tão surpreendente que você pode ver milhares de vezes (exageero) e nunca se cansar, e eu choro e rio e choro e rio de novo...é sensacional. Quando o assistimos uma sensação boa nos invade, algo estranho,é como se eu estivesse lá com eles indo a procura de um corpo, mas na verdade não só isso. Eu lembro que quando eu era pequeno, saia demais com meus amigos para o quintal, explorar a floresta que tinha atrás da casa de um, e vivíamos coisas inesquecíveis, não tão emocionantes e perigosas quanto a de Conta Comigo, mas que tinham lá sua devida importância, algo como fugir de um cachorro feroz que está correndo atrás da turma, rasgar a roupa em arames farpados, cair de um barranco (sim, as vezes podiam ser meio arriscadas, mãs...), descobrir campos onde podemos brincar e depois voltar para a casa infestados de carrapatos.... coisas assim, que eram tão comum nos meus tempos de criança.

Recordações a parte, Conta Comigo fala principalmente da amizade inviolável e da união, mas algo além disso tudo: que a vida continua, mesmo com tragédias e decepções,nós crescemos, mas nossas experiências nunca irão nos deixar. Como aquela representada no filme, a odisséia da auto-revelação. Quando a inocência dá seu ultimo suspiro, e sentimos o verdadeiro e primeiro grande sabor da vida.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

...E O VENTO LEVOU - Um melodrama atemporal!


Hoje eu vou falar de um dos filmes mais famosos e populares da historia do cinema. Acho que não existe nenhum ser humano que goste de cinema, que não conheça ou nunca ouviu falar desse filme. 70 anos atrás, em plena Era De Ouro de Hollywood - quando o cinema começou a ressurgir com força logo depois da depressão e apareceram obras como "Casablanca", "CidadãoKane", e etc... - o épico conquistou e ainda conquista milhares de espectadores que se deliciam a cada frame e a cada cena fantástica que ele exibe. Um filmaço que divide opiniões, que tem lá seus vários pontos fracos, mas que com certeza diverte e emociona.
"...E o Vento Levou"
(Gone With the Wind, 1939)
não é o melhor filme de todos os tempos, muito menos o melhor filme romântico de todos os tempos, mas com certeza fez historia, com todo seu glamur e exuberância.

Primeiro de tudo, eu sinceramente não entendo esses três pontinhos na frente de: E o Vento Levou. É pra que? fazer uma analogia ao vento? vai saber.

O filme é baseado no livro de Margaret Mitchel, que só para constar tem mais ou menos 1.000 páginas (comecei a ler, mas larguei em algum canto). E, diga-se de passagem, pode-se dizer que o filme não se desenvolveu como deveria em todos os seus minutos, porém ainda assim, a película persiste ao tempo, com todas suas cores exuberantes, sua vivacidade e ambição desmedida.

O longa (literalmente) conta a história da jovem sulista Scarlett O'Hara (Vivien Leigh ) nos dias antes, durante e depois da Guerra Civil Americana.Com todas suas aventuras, românticas ou não com Rhett Butler (Clark Gable).

Falando assim, nem parece que tem muita coisa pra acontecer, mas tem sim. Inclusive, foi “E o Vento Levou” que inspirou todos esses dramalhões mexicanos, inúmeras telenovelas, com o sofrimento da mocinha e a determinação da mesma, o amor rejeitado ao galã e depois a aceitação inevitável desse amor que surgiu arisco e que depois se fez doce e selvagem.Mas com certeza, é mais que isso, muito mais. A personagem Scarlett O’Hara é simplesmente magnifica, pois ela é forte, é destemida e lutadora, brigando por seus interesses e defendo o que possui e que indiretamente define o que ela é, no caso, Tara, sua amada terra.

E assim o longa se desenvolve, acompanhando a complexa personalidade de O’ Hara e os efeitos que a Guerra trouxe e a afligiu. As cenas mostradas completam-na. E é simplesmente incrível como isso ocorre de forma sutil, intensa e reveladora. E a atuação de Leigh é fantástica, a jovem atriz foi uma excelente escolha para a egoísta Scarlett, uma beleza delicada com uma vontade de ferro. Porque a personagem em si é muito difícil de gostar, irritante ao extremo mas ainda sim, fabulosa, e que deve ser admirada.

E há Rhett, interpretado por Gable,que de alguma forma estranha completa a protagonista.Ele é sedutor, cínico e com seu próprio código de honra admirável. Sua confiança e masculinidade ofuscam outros, e por isso que Scarlet se sente atraída. Vide a cena antológica do beijo, umas das mais famosas do cinema, quando os dois estão ali, juntos, o fundo arde,o desejo pede, a vulnerabilidade dela é quase que proposital e inevitável perante ele,que avança confiante e a beija. Forte, avassalador e completamente apaixonado.

Tudo isso não seria possível claro, sem a mão mais que competente e um tanto quanto instável de David O. Selznick, um baita de um produtor super poderoso, que comandou o filme, e que trocou de diretores três vezes, sendo somente o ultimo, Victor Fleming, o único a ser creditado.Alias, dizem que até Hitchcock dirigiu uma cena! =O Mas com certeza, mesmo com esse vira e mexe e uma verdadeira macarronada de diretores, a massa (fazer analogia com comida é tosco demais) e a visão veio de Selznick que é sim um gênio, e que predominou a película e não a tornou algo sem coerência e sim de um primor absoluto e prestigioso.

Mesmo assim, E o Vento Levou possui lá suas falhas, principalmente no roteiro, seja ele excessivamente longo, e que transforma o filme em algo cansativo em suas 4 horas, do modo que ele insere o romance de Scarlett e Rhett, ao retrato totalmente inverossímil de escravos viverem de forma tranqüila e em plena harmonia com seus donos, e mais uma leva de coisas. Além de algumas cenas, difíceis de digerir.

Victor Fleming,apesar de dirigir nem metade do filme, marca bastante a obra, pois ele tem um absurdo controle com as cores,fato mais que comprovado em “O Mágico de Oz" e isso torna “...E o Vento” mais marcante ainda, principalmente na sua cena final, onde a beleza explode na tela, juntamente com a bravura de Scarlett, Quando ela se esforça para fora no meio do campo e tira o rabanete da terra e ela apenas o coloca em sua boca, então ela surge no centro da tela com os olhos chorosos e determinação obstinada incrustada na face e diz, "I'll never go hungry again! " Ela aí, já é outra mulher, que simplesmente procurava e que arduamente encontrou um ideal. (quem quiser assistir a cena, clique aqui)

Enfim, parece sim um dramalhão mexicano, parece sim, uma novela da Globo, mas eu to nem aí!, é um filmaço, com uma belíssima fotografia, trilha sonora e atuações. “...E o Vento Levou” é um filme de guerra, é uma história, é uma história de amor, é um melodrama. É também um daqueles filmes que representa as coisas incrivelmente diferentes para pessoas diferentes.